Portuguese poem
Rosa sem espinhos
Para todos tens carinhos, A ninguém mostras rigor! Que rosa és tu sem espinhos? Ai, que não te entendo, flor!
Se a borboleta vaidosa A desdém te vai beijar, O mais que lhe fazes, rosa, É sorrir e é corar.
E quando a sonsa da abelha, Tão modesta em seu zumbir, Te diz: «Ó rosa vermelha, » Bem me podes acudir:
» Deixa do cálix divino » Uma gota só libar... » Deixa, é néctar peregrino, » Mel que eu não sei fabricar ...»
Tu de lástima rendida, De maldita compaixão, Tu à súplica atrevida Sabes tu dizer que não?
Tanta lástima e carinhos, Tanto dó, nenhum rigor! És rosa e não tens espinhos! Ai !, que não te entendo, flor.