Portuguese poem
Saudades
Leva este ramo, Pepita, De saudades portuguesas; É flor nossa; e tão bonita Não na há noutras devesas.
Seu perfume não seduz, Não tem variado matiz, Vive à sombra, foge à luz, As glórias d'amor não diz;
Mas na modesta beleza De sua melancolia É tão suave a tristeza, Inspira tal simpatia!...
E tem um dote esta flor Que de outra igual se não diz: Não perde viço ou frescor Quando a tiram da raiz.
Antes mais e mais floresce Com tudo o que as outras mata; Até às vezes mais cresce Na terra que é mais ingrata.
Só tem um cruel senão, Que te não devo esconder: Plantada no coração, Toda outra flor faz morrer.
E, se o quebra e despedaça Com as raízes mofinas, Mais ela tem brilho e graça, É como a flor das ruínas.
Não, Pepita, não ta dou... Fiz mal em dar-te essa flor, Que eu sei o que me custou Tratá-la com tanto amor.