Versos Portuguese Antero de Quental Ii

Portuguese poem

Ii

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Eu amo então a noite.--Paz e esperança A quem soffre, buscando algum allivio; Ao feliz exultando de alegrias A lembrança de Deus a quem as deve; A quem descreu de achar inda na terra Ventura que lhe foge... o olvido ao menos; A toda a crença um exultar de affectos; A todo o desconforto, uma esperança; A toda a natureza, amor e vida; Eis o thesouro santo que nos abre --A nós e ao mundo--a noite, eis seu tributo.

É doce então abrir os seios d'alma Aos effluvios do céo: flor que hão crestado Ardentias do sol, e ainda timida Palpitando entre o susto e a esperança, Retoma agora aos poucos novo alento Ao sentir-se segura, e abrindo o calix Estremece de amor a cada gôtta Dos orvalhos do céo: como que a vida Solta de tanto laço que a comprime, Como gaz que ao calor se ha dilatado, Se expande livre agora e cresce e absorve Em si mil harmonias, mil poderes Que esse universo tem: como as correntes Occultas, que os oceanos communicam, A natureza e o espirito permutam Sympathias e forças, em que a alma Mais cresce e mais comprehende, e mais abrange, E n'este permutar de força e força Quasi na vida universal se funda.