Versos Portuguese Antero de Quental O Espirito Ruim

Portuguese poem

O Espirito Ruim

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Como foste, como eu te conheci, E como estás mudada, Margarida! Que pensamento é que te traz aqui? Ainda adormecida, Tua alma ha pouco, lembras-te? buscava, Esta sombra do altar--mas não chorava, Não, não chorava as lagrimas que choras! Rezar era então brinco de criança, Para ti, innocente... Lias nas tuas Horas As tuas orações--e docemente Sorria a Deus tua infantil confiança... Margarida! Quantas ruinas em tão curta vida! Que pensamento occulto te tortura? E, no teu coração, Que peccado te roe essa alma impura? Não rezes: Deus não te ouve a oração! Rezas por tua mãe? por ti foi morta, Sim, morta lentamente, a infeliz! Olha o sangue espalhado á tua porta... De quem é elle, diz? E escuta! n'esse seio criminoso O que é que já se move? Sim, o que é que se agita, e te commove Com um presentimento doloroso?