Portuguese poem
Nox
Noite, vão para ti meus pensamentos, Quando olho e vejo, à luz cruel do dia, Tanto estéril lutar, tanta agonia, E inúteis tantos ásperos tormentos...
Tu, ao menos, abafas os lamentos, Que se exalam da trágica enxovia... O eterno Mal, que ruge e desvaria, Em ti descansa e esquece alguns momentos...
Oh! Antes tu também adormecesses Por uma vez, e eterna, inalterável, Caindo sobre o Mundo, te esquecesses,
E ele, o Mundo, sem mais lutar nem ver, Dormisse no teu seio inviolável, Noite sem termo, noite do Não-ser!