Portuguese poem
*Na Taberna*
A João de Deus
Vejo apontar o hynverno... os crepitantes frios Me açoutam as vidraças... (Francisco Manoel)
Alguns dormem nas mezas, debruçados, Junto aos restos de um vinho já bebido; --Outros contam seus casos desgraçados.--
Um d'elles alto, magro, mal vestido, Conta historias d'amor, lançando fumo D'um cachimbo de gesso ennegrecido.
Um tenta levantar um outro a prumo Sobre os hombros, e um calvo, e já vermelho Faz das suas miserias um resumo.
Depois conta que o pae ethico e velho Lhe está para morrer; lastima a vida; E sobre as vinhas pede um bom conselho.
A casa é escura, velha, ennegrecida Do fumo. Noute velha, ouve-se o vento Bater na antiga porta carcomida.
O frio, a neve, a fome, o mau sustento Tem quebrantado muito aquellas frontes, E em muitos esmagado o pensamento.
N'alguns extinguido, mesmo, as fontes Da justiça e do bem; e feito errar No mundo, como os lobos pelos montes.
E o egoismo dos filhos e do Lar Banido o dó das lastimas estranhas; E tornado-os mais frios do que o mar.
Alguns vivem nas neves, nas montanhas, Outros o rio tem por seu visinho; E com a Fome travam más campanhas.
E--todos--tem o ar triste e mesquinho, Dos que vão sem prazer, habituados, Como a um somno que tira maus cuidados,
Beber as suas lagrimas com vinho.