Versos Portuguese António Duarte Gomes Leal Vi

Portuguese poem

Vi

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*Á Janella*

Altas horas da noute, quando a rua É deserta da onda crapulosa, No seu caminho em meio, vagarosa, --Abro a minha janella a ver a lua.

Como uma branca divindade nua Ella avança celeste, e, á luz ditosa, Qual copo de cristal que enche uma rosa, O goivo do Peccado em luz fluctua.

Fluctua, e é nestas horas recolhidas Que me ergo então ás cupulas subidas D'onde se avista o mystico ideal...

E rio, e admiro o vulgo obsecado Que cuida ver, nas beiras d'um telhado, Abrir-se n'um craveiro a flor do Mal!