Portuguese poem
Vi
*Á Janella*
Altas horas da noute, quando a rua É deserta da onda crapulosa, No seu caminho em meio, vagarosa, --Abro a minha janella a ver a lua.
Como uma branca divindade nua Ella avança celeste, e, á luz ditosa, Qual copo de cristal que enche uma rosa, O goivo do Peccado em luz fluctua.
Fluctua, e é nestas horas recolhidas Que me ergo então ás cupulas subidas D'onde se avista o mystico ideal...
E rio, e admiro o vulgo obsecado Que cuida ver, nas beiras d'um telhado, Abrir-se n'um craveiro a flor do Mal!