Versos Portuguese António Joaquim de Castro Feijó Fabula Antiga

Portuguese poem

Fabula Antiga

by (1859–1917)

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No principio do mundo o Amor não era cego; Via mesmo através da escuridão cerrada Com pupilas de Lynce em olhos de Morcego.

Mas um dia, brincando, a Demencia, irritada, Num impeto de furia os seus olhos vazou; Foi a Demencia logo ás feras condemnada,

Mas Jupiter, sorrindo, a pena commutou. A Demencia ficou apenas obrigada A acompanhar o Amor, visto que ella o cegou,

Como um pobre que leva um cego pela estrada. Unidos desde então por invisiveis laços, Quando o Amor emprehende a mais simples jornada, Vae a Demencia adeante a conduzir-lhe os passos.