Portuguese poem
Eu E Tu
by António Joaquim de Castro Feijó (1859–1917)
Dois! Eu e Tu, num ser indissoluvel! Como Brasa e carvão, scentelha e lume, oceano e areia, Aspiram a formar um todo,--em cada assomo A nossa aspiração mais violenta se ateia...
Como a onda e o vento, a lua e a noute, o orvalho e a selva --O vento erguendo a vaga, o luar doirando a noute, Ou o orvalho inundando as verduras da relva-- Cheio de ti, meu ser d'effluvios impregnou-te!
Como o lilaz e a terra onde nasce e floresce, O bosque e o vendaval desgrenhando o arvoredo, O vinho e a sêde, o vinho onde tudo se esquece, --Nós dois, d'amor enchendo a noute do degrêdo,
Como partes d'um todo, em amplexos supremos Fundindo os corações no ardor que nos inflamma, Para sempre um ao outro, Eu e Tu, pertencemos, Como se eu fôsse o lume e tu fôsses a chamma...