Portuguese poem
Vaso chinês
by Antônio Mariano de Oliveira (1857–1937)
Estranho mimo, aquele vaso! Vi-o Casualmente, uma vez, de um perfumado Contador sobre o mármor luzidio Entre um leque e o começo de um bordado.
Fino artista chinês, enamorado, Nele pusera o coração doentio Em rubras flores de um sutil lavrado Na tinta ardente, de um calor sombrio.
Mas, talvez por contraste à desventura — Quem o sabe? — de um velho mandarim Também lá estava a singular figura.
Que arte em pintá-la! A gente acaso vendo-a Sentia um não sei quê com aquele chim De olhos cortados à feição de amêndoa.