Portuguese poem
A Dança da Psique
by Augusto dos Anjos (1884–1914)
A dança dos encéfalos acesos Começa. A carne é fogo. A alma arde. A espaços As cabeças, as mãos, os pés e os braços Tombam, cedendo à ação de ignotos pesos!
E então que a vaga dos instintos presos - Mãe de esterilidades e cansaços - Atira os pensamentos mais devassos Contra os ossos cranianos indefesos
Subitamente a cerebral coréia Pára. O cosmos sintético da Ideia Surge. Emoções extraordinárias sinto
Arranco do meu crânio as nebulosas E acho um feixe de forças prodigiosas Sustentando dois monstros: a alma e o instinto!