Portuguese poem
Versos ligeiros
by Auta de Souza (1876–1901)
E’ sua prece que vôa, Indefinida e tão mansa, Como um hymno que resôa, Como uma voz de creança.
A trança de seu cabello, (Como ella é negra, Jesus!) Semelha um lindo novello Tão preto que já reluz.
Tem a boquinha vermelha Como uma rosa entreabrindo... E’ um favo de mel de abelha Aquella bocca sorrindo!
Minh’alma nunca se cança De vel-a assim, tão divina, Sempre formosa e creança Com o seu perfil de menina.
A ’s vezes, eu olho-a tanto, Com tanta veneração, Que fico muda de espanto, Depois da contemplação.
E’ verdade que não faz Mal nenhum fital-a assim... Meu Deus! si eu fosse rapaz O que diriam de mim?!