Portuguese poem
Um sonho
by Auta de Souza (1876–1901)
Calou-se o cirio, e a rosa entristecida, Entreabrindo o calice perfumado, Murmurou, n’uma prece indefinida De mãe que pede pelo filho amado:
«Quero o meu leito, aqui junto ao Sacrario, Minha tumba nos braços desta Cruz; E’ tão doce subir para o Calvario Beijando a terra onde pisou Jesus!
E depois... Quando a luz te consumir Cahirão minhas folhas resequidas. Outros cirios e rosas hão de vir Redizer nossas queixas doloridas.»
Assim fallou a rosa, e, desfolhada Tombou, chorando, sobre a pedra fria. Da pobre vela reduzida ao nada O pranto apenas sobre o altar se via.
·