Versos Portuguese Auta de Souza Symbolicas

Portuguese poem

Symbolicas

by (1876–1901)

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Um dia, ao mundo de abrolhos A Virgem pura desceu, Com um manto da côr dos olhos E uns olhos da côr do Céo.

No Céo azul de seu manto Brilhava um astro: Jesus! E, em seu olhar sacrosanto, Boiava a Innocencia, a Luz...

Maria! — os anjos clamaram A chorar, vendo-a partindo... — Tu levas nossa alegria...» Mas da Terra lhe acenaram As flores todas, abrindo: «Maria!»

E Ella deixou do Infinito Os resplendentes fulgores, Para acudir ao bemdito Aceno doce das flores.

E teve pena de vel-as Formosas, mas sem ter brilho: Olhou sorrindo as estrellas Dos cabellos de seu Filho...

Ah! fôra Ella que as fizera Com a graça de seu sorriso, N’um dia de Primavera, Na gloria do Paraiso!

E seus olhos procuraram Algum occulto thesouro: «Para as flôres que faria?» Quando do Céo à chamaram Os Anjos todos, em coro: «Maria!»

Ia partir... Que lembrança Podia deixar no campo? Dera o sorriso á creança, Estrellas ao pyrilampo!

Nos meigos olhos perpassa Não sei que lampejo doce... E a Virgem, cheia de graça, Do mundo triste evolou-se.

Mas, Ella, que dera o encanto Do riso sagrado á infancia, Da dobra azul de seu manto Deixou cahir a fragrancia.

Desde esse dia, na Terra, As flores sabem fallar... A voz da flor é a ambrosia Que tanta doçura encerra Quando murmura ao luar: «Maria!»