Portuguese poem
Simples
by Auta de Souza (1876–1901)
Eu amo as minhas lembranças, Minhas saudades e dores, Assim como amo as crianças, Os passarinhos e as flores.
A criancinha que chora É como o lírio ao nascer: Um raio de sol implora Para que chegue a viver.
E o raio de sol que damos À pobre criança é o beijo... O lábio que nós beijamos Ressoa como um harpejo.
O pequeno passarinho Esmola também o amparo: Ai! guardemos o seu ninho Como o tesouro mais caro.
As flores - no vil degredo Da terra - vivem um dia! Vamos levá-las bem cedo À doce Virgem Maria.
Terão assim melhor sorte Quando forem a murchar... As rosas querem a morte Que as desfolha ao pé do altar.
Ai! tudo que é fraco e triste Precisa de amparo e luz... E nada no mundo existe Tão triste como uma Cruz.
Por isso, adoro as lembranças, As amarguras e as dores, Assim como amo as crianças, As andorinhas e as flores.