Versos Portuguese Auta de Souza Rimas

Portuguese poem

Rimas

by (1876–1901)

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Queres meus versos? São tristes, Talvez te façam chorar... Ó santa, tu não resistes Às nuvens de meu penar.

Foge do frio da dor, Procura o sol do conforto, Ajoelha sobre o Tabor, Não venhas rezar no Horto.

Teus olhos são lindos, lindos, Como noites de verão; Guardam sorrisos infindos: Não quero vê-los, ai! não...

Cheios de pranto, pousando Sobre o meu verso dolente... Tem pena do fulgor brando De teu olhar Inocente!

O pranto é que apaga o brilho Dos olhos de quem padece: À mãe, quando perde um filho, No olhar o brilho fenece.

E tu, mimosa criança, Pomba adorada e franzina, Em cujo seio a Esperança Canta a canção mais divina;

Por que procuras o espinho Da dor que fere, atormenta, Se o teu sorriso é um ninho Que a graça eterna acalenta?

Da mágoa o triste segredo Vens penetrar sem rebuço... Ah! queres saber bem cedo Quanto nos custa um soluço!

Ó anjo! foge da dor, Procura o sol do conforto... Ajoelha sobre o Tabor, Não venhas rezar no Horto.