Portuguese poem
Saudade
by Auta de Souza (1876–1901)
Mas... como posso eu levar sonhando A vida inteira n’um anceio infindo, Se choro mesmo quando estou cantando, Se choro mesmo quando estou sorrindo!
Ouve, ó formosa e doce e immaculada, Visão gentil de eterna phantasia: Minh’alma é uma saudade desfolhada De mãe querida sobre a cova fria.
Ah! minha Mãe! Pois tu não sabes, santa, Que Ella partiu e me deixou no berço? Desde esse dia a minha lyra canta Toda a saudade que lhe inspira o verso!
Depois que Ella se foi a Magua veio Encher-me o coração de luto e abrolhos. Eu soffro tanto longe de seu seio, Eu soffro tanto longe de seus olhos!
O’ minha Eugenia! Estrella abençoada Que illuminas o horror deste deserto... De teu affecto a chamma consagrada Lança á minh’alma como um pallio aberto.
Quando beijares teus filhinhos pensa O que seria d’elles sem teus beijos; E então comprehenderás a dor immensa, A amargura cruel destes harpejos!
Junta as mãosinhas dos pequenos lirios, Das creancinhas que tu’alma adora, E ensina-os a rezar sobre os martyrios E a saudade infinita de quem chora.