Versos Portuguese Auta de Souza Sylvio

Portuguese poem

Sylvio

by (1876–1901)

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Sylvio morreu. Docemente. Su’alma se foi, voando Como uma pomba dolente Que deixa a terra cantando.

«Não murches, olha de rosa! Espera que chegue o inverno... Cansaste, rola formosa? Pousa no seio materno.»

Mas Sylvio voou sorrindo À pátria que a glória encerra... Era um anjo meigo e lindo, E os anjos não são da terra.

Nossa Senhora é que os leva Aqui do mundo mesquinho; Quer vê-los, longe da treva, Brincando com o seu filhinho.

Quando se vai n’um sorriso Uma criança adorada, Ao chegar ao Paraíso, Diz uma lenda encantada.

Jesus lhe entrega, risonho, Para a salvar do martírio, Duas asas da cor do Sonho E um pequenino círio.

Mas, se a mãe padece tanto Na terra, sempre chorando, Molham-se as asas de pranto E o círio vai-se apagando.

Então o pobre do anjinho Já não procura brincar, Soluça a um canto sozinho Porque não pode voar.

E, se o círio, doce e puro, Pouco a pouco perde a luz, Como pode ele no escuro Ver o menino Jesus?

Pobre mãe! não chores tanto O filho do coração... Vais apagar com teu pranto A vela que tem na mão.

Depois ouvirás clamar, Do Céu entre as níveas gazas: Ó mãe, não posso voar Teu pranto molha-me as asas!