Portuguese poem
(A idade, aquella idade, que primeiro)
by Basílio da Gama (1741–1795)
A idade, aquella idade, que primeiro Vio em mão delicada o sceptro e o mando, E a Egypcia, que a ruina pôde amando Duas vezes causar ao mundo inteiro:
Que vio levada de furor guerreiro, Parte da trança negra ao vento dando, Correr c’um peito atado, outro ondeando A usurpadora mãi do Assyrio herdeiro:
Que vio co’ a mão, que erguêra uma cidade Confundir com o dom da mão troyana Um resto de fraqueza e de saudade;
Que ultrajada belleza, alma romana, Vio nadar o seu sangue; — aquella idade Tudo não vio porque não vio Joanna!