Portuguese poem
Chorosos versos meus desentoados
by Bocage
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Chorosos versos meus desentoados, Sem arte, sem beleza e sem brandura, Urdidos pela mão da Desventura, Pela baça Tristeza envenenados:
Vede a luz, não busqueis, desesperados, No mudo esquecimento a sepultura; Se os ditosos vos lerem sem ternura, Ler-vos-ão com ternura os desgraçados.
Não vos inspire, ó versos, covardia Da sátira mordaz o furor louco, Da maldizente voz a tirania.
Desculpa tendes, se valeis tão pouco; Que não pode cantar com melodia Um peito, de gemer cansado e rouco.
Also available with a spoken translation into English in the reader.