Versos Portuguese Casimiro de Abreu Rosa Murcha

Portuguese poem

Rosa Murcha

by (1839–1860)

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Esta rosa desbotada Já tantas vezes beijada, Pálido emblema de amor; É uma folha caída Do livro da minha vida, Um canto imenso de dor!

Há que tempos! Bem me lembro... Foi num dia de novembro: Deixava a terra natal, A minha pátria tão cara, O meu lindo Guanabara, Em busca de Portugal.

Na hora da despedida Tão cruel e tão sentida P'ra quem sai do lar fagueiro; Duma lágrima orvalhada, Esta rosa foi-me dada Ao som dum beijo primeiro.

Deixava a pátria, é verdade, Ia morrer de saudade Noutros climas, noutras plagas; Mas tinha orações ferventes Duns lábios inda inocentes Enquanto cortasse as vagas.

E hoje, e hoje, meu Deus?! — Hei de ir junto aos mausoléus No fundo dos cemitérios, E ao baço clarão da lua Da campa na pedra nua Interrogar os mistérios!

Carpir o lírio pendido Pelo vento desabrido... Da divindade aos arcanos Dobrando a fronte saudosa, Chorar a virgem formosa Morta na flor dos anos!

Era um anjo! Foi p'ro Céu Envolta em místico véu Nas asas dum querubim; Já dorme o sono profundo, E despediu-se do mundo Pensando talvez em mim!

Oh! esta flor desbotada, Já tantas vezes beijada, Que de mistérios não tem! Em troca do seu perfume Quanta saudade resume E quantos prantos também!