Versos Portuguese Castro Alves A Volta da Primavera

Portuguese poem

A Volta da Primavera

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Aime, et tu renaltras; fais-toi fleur pour éclore. Après avoir souffert, il faut souffrir encore; Il faut aimer sans cesse, après a voair aimé. (A de Musset.)

Ai! não maldigas minha fronte pallida, E o peito gasto ao referver de amores. Vegetam louros — na caveira esqualida E a sepultura se reveste em flores.

Bem sei que um dia o vendaval da sorte Do mar lançou-me na gelada arêa. Serei... que importa? o D. Juan da morte, Dá-me o teu seio — tu serás Haydéa!

Pousa esta mão — nos meus cabellos humidos!... Ensina á briza ondulações suaves!

Dá-me um abrigo nos teus seios tumidos! Falla!... que eu ouço o pipilar das aves!

Já viste ás vezes, quando o sol de Maio Inunda o valle, o matagal e a veiga? Murmura a relva: — Que suave raio! Respondo o ramo: — Como a luz é meiga!

E ao doce influxo do clarão do dia O junco exhausto, que cedèra á enchente. Levanta a fronte da lagôa fria... Mergulha a fronte na lagôa ardente...

Se a natureza apaixonada acorda Ao quente afago do celeste amante, Diz: — Quando em fogo o teu olhar transborda, Não vês minh′alma reviver ovante?

É que teu riso me peneira n′alma, Como a harmonia de uma orchestra sancta, É que teu riso tanta dôr acalma... Tanta descrença!... tanta angustia!... tanta!

Que eu digo ao ver tua celeste fronte: — O céo consola toda a dôr que existe. Deus foz a neve para — o negro monte! Deus fez a virgem para — o bardo triste!