Versos Portuguese Castro Alves A senzala

Portuguese poem

A senzala

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Qual o veado, que buscou o aprisco, Balindo arisco, para a cerva corre... ou como o pombo, que os arrulos solta, Se ao ninho volta, quando a tarde morre...,

Assim, cantando a pastoril balada, Já na esplanada o lenhador chegou. Para a cabana da gentil Maria Com que alegria a suspirar marchou!

Ei-la a casinha... tão pequena e bela! Como é singela com seus brancos muros! Que liso teto de sapé doirado! Que ar engraçado! que perfumes puros!

Abre a janela para o campo verde, Que além se perde pelos cerros nus... A testa enfeita da infantil choupana Verde liana de festões azuis.

É este o galho da rolinha brava, Aonde a escrava seu viver abriga... Canta a jandaia sobre a curva rama E alegre chama sua dona amiga.

Aqui n'aurora, abandonando os ninhos, Os passarinhos vêm pedir-lhe pão; Pousam-lhe alegres nos cabelos bastos, Nos seios castos, na pequena mão.

Eis o painel encantado, Que eu quis pintar, mas não pude... Lucas melhor o traçara Na canção suave e rude... Vede que olhar, que sorriso S'expande no brônzeo rosto, Vendo o lar do seu amor... Ai! Da luz do Paraíso Bate-lhe em cheio o fulgor.