Portuguese poem
A mãe do cativo
by Castro Alves
Le Christ à Nazareth, aux jours de son enfance Jouait avec la croix, symbole de sa mort; Mère du Polonais! qu'il apprene d'avance A combattre et braver les outrages du Sort.
Qu'il couve dans son sein sa colère et sa joie ; Qu’il ses discours prudents distillent le venin, Comme un abîme obscur que son coeur se reploie : À terre, à deux genoux, qu'il rampe comme un nain.
MICKIEWICZ (A Mãe Polaca)
I
Ó mãe do cativo! que alegre balanças A rede que ataste nos galhos da selva! Melhor tu farias se à pobre criança Cavasses a cova por baixo da relva.
Ó mãe do cativo! que fias à noite As roupas do filho na choça da palha! Melhor tu farias se ao pobre pequeno Tecesses o pano da branca mortalha.
Misérrima! E ensinas ao triste menino Que existem virtudes e crimes no mundo E ensinas ao filho que seja brioso, Que evite dos vícios o abismo profundo ...
E louca, sacodes nesta alma, inda em trevas, O raio da espr'ança... Cruel ironia! E ao pássaro mandas voar no infinito, Enquanto que o prende cadeia sombria! ...
II
Ó Mãe! não despertes est'alma que dorme, Com o verbo sublime do Mártir da Cruz! O pobre que rola no abismo sem termo Pra qu'há de sondá-lo... Que morra sem luz.
Não vês no futuro seu negro fadário, Ó cega divina que cegas de amor?! Ensina a teu filho — desonra, misérias, A vida nos crimes — a morte na dor.
Que seja covarde... que marche encurvado... Que de homem se torne sombrio reptíl. Nem core de pejo, nem trema de raiva Se a face lhe cortam com o látego vil.
Arranca-o do leito... seu corpo habitue-se Ao frio das noites, aos raios do sol. Na vida — só cabe-lhe a tanga rasgada! Na morte — só cabe-lhe o roto lençol.
Ensina-o que morda... mas pérfido oculte-se Bem como a serpente por baixo da chã Que impávido veja seus pais desonrados, Que veja sorrindo mancharem-lhe a irmã.
Ensina-lhe as dores de um fero trabalho... Trabalho que pagam com pútrido pão. Depois que os amigos açoite no tronco... Depois que adormeça co'o sono de um cão.
Criança — não trema dos transes de um mártir! Mancebo — não sonhe delírios de amor! Marido — que a esposa conduza sorrindo Ao leito devasso do próprio senhor! ...
São estes os cantos que deves na terra Ao mísero escravo somente ensinar. Ó Mãe que balanças a rede selvagem Que ataste nos troncos do vasto palmar.
III
Ó Mãe do cativo, que fias à noite À luz da candeia na choça de palha! Embala teu filho com essas cantigas... Ou tece-lhe o pano da branca mortalha.