Versos Portuguese Castro Alves A queimada

Portuguese poem

A queimada

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MEU NOBRE perdigueiro! vem comigo. Vamos a sós, meu corajoso amigo, Pelos ermos vagar! Vamos Já dos gerais, que o vento açoita, Dos verdes capinais n'agreste moita A perdiz levantar!...

Mas não!... Pousa a cabeça em meus joelhos... Aqui, meu cão! ... Já de listrões vermelhos O céu se iluminou. Eis súbito da barra do ocidente, Doudo, rubro, veloz, incandescente, O incêndio que acordou!

A floresta rugindo as comas curva... As asas foscas o gavião recurva, Espantado a gritar. O estampido estupendo das queimadas Se enrola de quebradas em quebradas, Galopando no ar.

E a chama lavra qual jibóia informe, Que, no espaço vibrando a cauda enorme, Ferra os dentes no chão... Nas rubras roscas estortega as matas.... Que espadanam o sangue das cascatas Do roto coração!...

O incêndio — leão ruivo, ensangüentado, A juba, a crina atira desgrenhado Aos pampeiros dos céus!... Travou-se o pugilato e o cedro tomba... Queimado..., retorcendo na hecatomba Os braços para Deus.

A queimada! A queimada é uma fornalha! A irara — pula; a cascavel — chocalha... Raiva, espuma o tapir! ... E às vezes sobre o cume de um rochedo A corça e o tigre — náufragos do medo — Vão trêmulos se unir!

Então passa-se ali um drama augusto... N'último ramo do pau-d'arco adusto O jaguar se abrigou... Mas rubro é o céu... Recresce o fogo em mares... E após... tombam as selvas seculares... E tudo se acabou!...