Versos Portuguese Castro Alves Como um perfume de longínquas plagas

Portuguese poem

Como um perfume de longínquas plagas

by

Listen in the reader

No dia de seu Natalício

Como um perfume de longínquas plagas Traz o vento da pátria ao peregrino, O meu amigo! que saudade infinda Tu me trazes dos tempos de menino!

É o ledo enxame de sutis abelhas Que vem lembrar à flor o mel d'aurora... Acres perfumes de uma idade ardente Quando o lábio sorri... mas nunca chora! Que tempos idos! que esperanças louras! Que cismas de poesia e de futuro!

Nas páginas do triste Lamartine Quanto sonho de amor pousava puro!... E tu falavas de um amor celeste, De um anjo, que depois se fez esposa... — Moça, que troca os risos de criança

Pelo meigo cismar de mãe formosa. Oh! meu amigo! neste doce instante O vento do passado em mim suspira, E minh'alma estremece de alegria, Como ao beijo da noite geme a lira. Tu paraste na tenda, ó peregrino!

Eu vou seguindo do deserto a trilha; Pois bem... que a lira do poeta errante Seja a bênção do lar e da família.