Portuguese poem
Loucura divina
by Castro Alves
— "É uma canção de amores. Que além gemeu!"
— "Oh! não! não mintas! Bem sei que é o céu!"
— "Doida! Doida! É a voragem que nos chama!..." — "Eu ouço a Liberdade!"
— "É a morte, infante!" — "Erraste. É a salvação!"
— "Negro fantasma é quem me embala o esquife!" — "Loucura! É tua Mãe... O esquife é um berço,
— "Não vês os panos d'água como alvejam Nos penedos? Que gélido sudário
— "Veste-me o cetim branco do noivado... Roupas alvas de prata... albentes dobras...
— Já na proa espadana, salta a espuma... — São as flores gentis da laranjeira
Oh! névoa! Eu amo teu sendal de gaze!... Abram-se as ondas como virgens louras,
"As estrelas palpitam! — São as tochas! Os rochedos murmuram!... São os monges!
Que incenso! — Os rolos que do abismo voam! Que turíbulo enorme — Paulo Afonso!
A celeste Africana, a Virgem-Noite Cobria as faces... Gota a gota os astros Caíam-lhe das mãos no peito seu... ... Um beijo infindo suspirou nos ares...