Portuguese poem
Nos tempos idos... O alabastro, o mármore
by Castro Alves
Nos tempos idos... O alabastro, o mármore Reveste as formas desnuadas, mádidas De Vênus ou Friné. Nem um véu p'ra ocultar o seio trêmulo,
Nem um tirso a velar a coxa pálida... O olhar não sonha... vê! Um dia o artista, num momento lúcido, Entre gazas de pedra a loura Aspásia Amoroso envolveu. Depois, surpreso!... viu-a inda mais lânguida...
Sonhou mais doido aquelas formas lúbricas... Mais nuas sob um véu. E o mistério do espírito... A modéstia E dos talentos reis a santa púrpura... Artista, és belo assim... Este santo pudor é só dos gênios! — Também o espaço esconde-se entre névoas... E no entanto é... sem fim!