Versos Portuguese Castro Alves O bandolim da desgraça

Portuguese poem

O bandolim da desgraça

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Quando de amor a Americana douda A moda tange na febril viola, E a mão febrenta sobre a corda fina Nervosa, ardente, sacudida rola.

A gusla geme, s'estorcendo em ânsias, Rompem gemidos do instrumento em pranto... Choro indizível... comprimir de peitos... Queixas, soluços... desvairado canto!

E mais dorida a melodia arqueja! E mais nervosa corre a mão nas cordas!... Ai! tem piedade das crianças louras Que soluçando no instrumento acordas!...

"Ai! tem piedade dos meus seios trêmulos..." Diz estalando o bandolim queixoso. ... E a mão palpita-lhe apertando as fibras... E fere, e fere em dedilhar nervoso!...

Sobre o regaço da mulher trigueira, Doida, cruel, a execução delira!... Então — co'as unhas cor-de-rosa, a moça, Quebrando as cordas, o instrumento atira!...

Assim, Desgraça, quando tu, maldita! As cordas d'alma delirante vibras... Como os teus dedos espedaçam rijos Uma por uma do infeliz as fibras!

— Basta —, murmura esse instrumento vivo. — Basta —, murmura o coração rangendo, E tu, no entanto, num rasgar de artérias, Feres lasciva em dedilhar tremendo.

Crença, esperança, mocidade e glória, Aos teus arpejos, — gemebundas morrem!... Resta uma corda... — a dos amores puros — ... E mais ardentes os teus dedos correm!...

E quando farta a cortesã cansada A pobre gusla no tapete atira, Que resta?... — Uma alma — que não tem mais vida! Olhos — sem pranto! Desmontada — lira!!!