Portuguese poem
Machuca
by Chiquinha Gonzaga (1847–1935)
Sou morena bonita e galante Tenho raios e setas no olhar E nem pode uma lira de Dante Os encantos que venho cantar Quando passam os bilontras me olhando De binóculo erguido com ardor Dizem todos se bamboleando Abrasados em chamas de amor
Ai morena, morena querida! Tu nos pões a cabeça maluca (est.) Pisa e mata, destrói esta vida Ai, morena, morena, machuca!
Eu machuco deveras a todos Até fico contente por isso Ao fitá-los eu os deixo por loucos Pois fitando-os lhes deito feitiço Sou morena que quando passeio Deixo cauda de luz como um astro E uma récua de gente que veio Me dizendo, seguindo o meu rastro:
Estes fogos que tenho nos olhos E que têm até Dom de encantar São na vida, no mundo, os escolhos Onde os peitos se vêm quebrar Mas a culpa não é, não é minha É de todos que vêm com ardor Me julgando dos céus a rainha Me dizer abrasados de amor: