Portuguese poem
Lua de fulgores
by Chiquinha Gonzaga (1847–1935)
Ó lua-cheia de fulgores e de encanto! Se é verdade que ao amor tu dás abrigo Vem enxugar dos olhos meus o pranto Ó vem guardar está paixão que vai comigo!
Ai, por quem és, desce do céu, ó lua branca! Tira esta mágua de meu peito, arranca! Daí-me o luar da tua compaixão Ó vem, por Deus, iluminar meu coração!
Ai, quantas vezes se no céu me aparecias Toda a brilhar em noite calma, constelada... Ai, quantas vezes tu me surpreendias Ajoelhado junto aos pés de minha amada!
Ó Lua cheia, por que és, tem dó de mim! Vem a meu lado, tenha pena, sim Daí-me o luar de tua compaixão Ó Vem, por Deus, iluminar meu coração!
Ó lua cheia de fulgores e de encanto Vem a meu lado me matar esta saudade Enxugar dos olhos meus o pranto Ó vem, por Deus, me matar esta paixão!