Portuguese poem
Ao estrídulo solene dos bravos! das platéias
by Cruz e Sousa (1861–1898)
Ao estrídulo solene dos bravos! das platéias, Prossegues altaneira, oh! ídolo da arte!... — O sol pára o curso p'ra bem de admirar-te — O sol, o grande sol, o misto das idéias.
A velha natureza escreve-te odisséias... A estrela, a nívea concha, o arbusto... em toda a parte Retumba a doce orquestra que ousa proclamar-te Assombro do ideal, em duplas melopéias!
Perpassam vagos sons na harpa do mistério Lá, quando no proscênio te ergues imperando — Oh! Íbis magistral do mundo azul — sidério!
Então da imensidade, audaz vem reboando De palmas o tufão, veloz, febril, aéreo Que cai dentro das almas e as vai arrebatando!...