Portuguese poem
Aspiração
by Cruz e Sousa (1861–1898)
Quisera ser a serpe astuciosa Que te dá medo e faz-te pesadelos Para esconder-me, ó flor luxuriosa, Na floresta ideal dos teus cabelos.
Quisera ser a serpe venenosa Para enroscar-me em múltiplos novelos, Para saltar-te aos seios cor-de-rosa. E bajulá-los e depois mordê-los.
Talvez que o sangue impuro e rutilante Do teu divino corpo de bacante, Sangue febril como um licor do Reno
Completamente se purificasse Pois que um veneno orgânico e vorace Para ser morto é bom outro veneno.