Versos Portuguese Cruz e Sousa Lembranças Apagadas

Portuguese poem

Lembranças Apagadas

by (1861–1898)

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Outros, mais do que o meu, finos olfactos, Sintam aquelle arôma estranho e bello Que tu, ó Lyrio languido, singéllo, Guardaste nos teus íntimos recatos.

Que outros se lembrem dos subtis e exactos Traços, que hoje não lembro e não revéllo E se recordem, com profundo anhélo, Da tua voz de sideraes contactos...

Mas eu, para lembrar mortos encantos, Rosas murchas de graças e quebrautos, Linhas, perfil e tanta dôr saudosa,

Tanto martyrio, tanta magoa e pena, Precisaria de uma luz serena, De uma luz immortal maravilhosa !...