Versos Portuguese Cruz e Sousa Majestade Caída

Portuguese poem

Majestade Caída

by (1861–1898)

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Esse cornóide deus funambulesco Em torno ao qual as Potestades rugem, Lembra os trovões, que tétricos estrugem, No riso alvar de truão carnavalesco.

De ironias o mômo picaresco Abre-lhe a bocca e uns dentes de ferrugem, Verdes gengivas de ácida salsugem Móstra e parece um Satyro dantesco.

Mas ninguem nóta as coleras horriveis, Os chascos, os sarcasmos impassiveis Dessa estranha e tremenda Magestade.

Do tôrvo deus hediondo, atroz, nefando, Senil, que embóra rindo, está chorando Os Noivados em flôr da Mocidade !