Portuguese poem
Os Dois
by Cruz e Sousa (1861–1898)
— Minha mãe, minha mãe, quanta grandeza Nesses plácidos, quanta majestade; Como essa gente há de viver, como há de Ser grande sempre na feliz riqueza.
Nem uma lágrima sequer — e à mesa D’entre as baixelas, d’entre a imensidade Da prata e do ouro — a azul felicidade Dos bons manjares de ótima surpresa.
Nem um instante os olhos rasos d’água, Nem a ligeira oscilação da mágoa Na vida farta de prazer, sonora.
— Como o teu louco pensamento expandes Filho — a ventura não é só dos grandes Porque, olha, o mar tambem é grande e... chore!