Portuguese poem
Os Mortos
by Cruz e Sousa (1861–1898)
Ao menos junto dos mortos pode a gente Crer e esperar n’alguma suavidade: Crer no doce consolo da saudade E esperar do descanso eternamente.
Junto aos mortos, por certo, a fé ardente Não perde a sua viva claridade; Cantam as aves do céu na intimidade Do coração o mais indiferente.
Os mortos dão-nos paz imensa à vida, Dão a lembrança vaga, indefinida Dos seus feitos gentis, nobres, altivos.
Nas lutas vãs do tenebroso mundo Os mortos são ainda o bem profundo Que nos faz esquecer o horror dos vivos.