Versos Portuguese Cruz e Sousa Serpente de Cabelos

Portuguese poem

Serpente de Cabelos

by (1861–1898)

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A tua trança negra e desmanchada Por sobre o corpo nú, tôrso inteiriço, Claro, radiante de esplendor e viço, Ah! lembra a noite de astros apagada.

Luxuria deslumbrante e avelludada Atravez desse marmore macisso Da carne, o meu olhar n'ella espreguiço Felinamente, nessa trança ondeada.

E fico absôrto, n'um torpôr de côma, Na sensação narcótica do arôma, D'entre a vertigem túrbida dos zêlos.

Es a origem do Mal, és a nervosa Serpente tentadôra e tenebrosa, Tenebrosa serpente de cabellos !...