Portuguese poem
Sexta-Feira Santa
by Cruz e Sousa (1861–1898)
Lua absíntica, verde, feiticeira, Pasmada como um vício mosntruoso... Um cão estranho fuça na esterqueira, Uivando para o espaç fabuloso.
É esta a negra e santa Sexta-Feira! Cristo está morto, como um vil leproso, Chagado e frio, na feroz cegueira Da morte, o sangue roxo e tenebroso.
A serpente do mal e do pecado Um sinistro veneno esverdeado Verte do Morto na mudez serena.
Mas da sagrada Redenção do Cristo, Em vez do grande Amor, puro, imprevisto, Brotam fosforescências de gangrena!