Portuguese poem
Surdinas
by Cruz e Sousa (1861–1898)
Vais partir, vais partir que eu bem te vejo Na branca face os gélidos suores, Vais procurar as musicas melhores Do sol, da glória e do celeste beijo.
Dentro de ti harpas do desejo Não vibram mais — embora que tu chores — Nem pelas tuas aflições maiores Se escuta um vago e enfraquecido arpejo...
Bem! vais partir, vais demandar esferas Amplas de luz, feitas de primaveras, Paisagens novas e amplidão florida...
Mas ao chegar-te a lágrima infinita, Lembra-te ainda, ó pálida bonita De que houve alguém que te adorou na vida.