Versos Portuguese Cruz e Sousa Voz fugitiva

Portuguese poem

Voz fugitiva

by (1861–1898)

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Às vezes na tu'alma que adormece Tanto e tão fundo, alguma voz escuto De timbre emocional, claro, impoluto Que uma voz bem amiga me parece.

E fico mudo a ouvi-la como a prece De um meigo coração que estaá de luto E livre, já, de todo o mal corruto, Mesmo as afrontas mais cruéis esquece.

Mas outras vezes, sempre em vão, procuro Dessa voz singular o timbre puro, As essências do céu maravilhosas.

Procuro ansioso, inquieto, alvoroçado, Mas tudo na tu'alma está calado, No silêncio fatal das nebulosas.