Portuguese poem
Visão da Morte
by Cruz e Sousa (1861–1898)
Olhos voltados para mim e abertos Os braços brancos, os nervosos braços, Vens d'espaços estranhos, dos espaços Infinitos, intérminos, desertos...
Do teu perfil os timidos, incertos Traços indefinidos, vagos traços Deixam, da luz nos ouros e nos aços, Outra luz de que os céos ficam cobertos.
Deixam nos céos uma outra luz mortuaria, Uma outra luz de lividos martyrios, De agonias, de magoa funeraria...
E causas febre e horrôr, frio, delyrios, Ó Noiva do Sepulchro, solitaria, Branca e sinistra no clarão dos cyrios!