Versos Portuguese Cruz e Sousa Vinho negro

Portuguese poem

Vinho negro

by (1861–1898)

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O vinho negro do imortal pecado Envenenou nossas humanas veias Como fascinações de atras sereias E um inferno sinistro e perfumado.

O sangue canta, o sol maravilhado Do nosso corpo, em ondas fartas, cheias. como que quer rasgar essas cadeias Em que a carne o retém acorrentado.

E o sangue chama o vinho negro e quente Do pecado letal, impenitente, O vinho negro do pecado inquieto.

E tudo nesse vinho mais se apura, Ganha outra graça, forma e formosura, Grave beleza d'esplendor secreto.