Portuguese poem
Vesperal
by Cruz e Sousa (1861–1898)
Tardes de ouro para harpas dedilhadas Por sacras solemnidades De cathedraes em pômpa, illuminadas Com rituaes magestades.
Tardes para quebrantos e surdinas E psalmos virgens e cantos De vozes celestiaes, de vozes finas De surdinas e quebrantos...
Quando atravez de altas vidraçarias De estylos gothicos, graves, O sol, no poente, abre tapeçarias, Resplandescendo nas naves...
Tardes augustas, biblicas, serenas, Com silencio de ascetérios E arômas leves, castos, de assucênas Nos claros ares sidéreos...
Tardes de campos repousados; quiétos, Nos longes emocionantes... De rebanhos saudosos, de secrétos Desejos vagos, errantes...
Ó Tardes de Beethoven, de sonatas, De um sentimento aéreo e velho... Tardes da antiga limpidez das pratas, De Epistolas do Evangélho !...