Portuguese poem
Para um coração
by Emiliano Perneta (1866–1921)
PARA UM CORAÇÃO
Um dia, vi-te, assim, bailando, E a uma pergunta, que te fiz, Tu respondeste : "Eu amo, e quando, E quando eu amo, eu sou feliz!"
Por uma noite perfumada, Cantaste, sobre o teu balcão. E eu disse, ouvindo a áurea balada : - Ah! Que feliz é o coração!
Quanta felicidade, quanta, Não há ninguém feliz assim : Um dia baila e noutro canta, Como se fosse um arlequim...
Eu disse .. Mas agora vejo, Nesse silêncio tumular, Que estás sofrendo, e o teu desejo Já não é mais o de bailar...
Nem de bailar, e nem, de certo De nada mais, de nada mais... Que fazes, pois, triste deserto, Que fazes pois, que não te vais?
Mas, choras, creio, choras? Onde? Se viu chorar um Lucifer? Pobre diabo, vamos, esconde Essas fraquezas de mulher...