Versos Portuguese Fernando Pessoa A flor que és, não a que dás, desejo

Portuguese poem

A flor que és, não a que dás, desejo

by (1888–1935)

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A flor que és, não a que dás, desejo. Porque me negas o que te não peço? Tão curto tempo é a mais longa vida, E a juventude nela!

Flor vives, vã; porque te flor não cumpres? Se te sorver esquivo o infausto abismo, Perene velarás, absurda sombra, Buscando o que não deste,

Na oculta margem onde os lírios frios Da ínfera leiva crescem, e a corrente Monótona, não sabe onde é o dia, Sussurro gemebundo.

21-10-1923