Portuguese poem
À noite
by Fernando Pessoa (1888–1935)
O silêncio é teu gémeo no Infinito. Quem te conhece, sabe não buscar. Morte visível, vens dessedentar O vago mundo, o mundo estreito e aflito.
Se os teus abismos constelados fito, Não sei quem sou ou qual o fim a dar A tanta dor, a tanta ânsia par Do sonho, e a tanto incerto em que medito.
Que vislumbre escondido de melhores Dias ou horas no teu campo cabe? Véu nupcial do fim de fins e dores.
Nem sei a angústia que vens consolar-me. Deixa que eu durma, deixa que eu acabe E que a luz nunca venha despertar-me!