Portuguese poem
Agonia
by Fernando Pessoa (1888–1935)
Ergo meus olhos vagos na distancia Da sombra do meu Ser... Pairam de mim Além, e a minha Ansia Cança de me viver.
Meus olhos espectraes de comoção, Olhos de Alma olhando-se a Si, Nimbam de luz a longa escuridão Da Vida que vivi.
Auréola de Dôr que finalisa Na noite do abysmo do meu nada, Silencio, prece, communhão sagrada, Sonho de luz que em Ti me divinisa, Tortura do meu fim, Alma ungida E perdida Na grandeza de Si. E já sem ver-me, Maceração crepuscular de Mim, Agoniso de Ser-me.
Lisboa--1914.