Portuguese poem
Antemanhã
by Fernando Pessoa (1888–1935)
O mostrengo que está no rim do mar Veio das trevas a procurar A madrugada do novo dia, Do novo dia sem acabar; E disse, «Quem é que dorme a lembrar Que desvendou o Segundo Mundo, Nem o Terceiro quer desvendar?»
E o som na treva de elle rodar Faz mau o somno, triste o sonhar. Rodou e foi-se o mostrengo servo Que seu senhor veio aqui buscar. Que veio aqui seu senhor chamar — Chamar Aquelle que está dormindo E foi outrora Senhor do Mar.