Portuguese poem
António Vieira
by Fernando Pessoa (1888–1935)
O céu strella o azul e tem grandeza. Este, que teve a fama e à gloria tem, Imperador da lingua portugueza, Foi-nos um céu tambem.
No immenso espaço seu de meditar, Constellado de fórma e de visão, Surge, prenuncio claro do luar, El-Rei D. Sebastião.
Mas não, não é luar: é luz do ethereo. E' um dia; e, no céu amplo de desejo, A madrugada irreal do Quinto Imperio Doira as margens do Tejo.